5/13/2007
Eu sou um Espinho
Eu sou um espinho, não sou um espinho de rosa, não sou um espinho do chão, sou um espinho de um ouriço cacheiro, tenho muitos companheiros, tu perguntas:
-Quantos são?
E eu respondo:
-Sei lá eu, são milhares!
Quando entre nós está um espinho vadio, nós um coro dizemos:
-Chefe rebola-te no chão, que há por aí um espinho vadio, que não quer sair do jardim de árvores castanhas, o nosso jardim é composto por nós!
O ouriço rebola-se, com a brincadeira a voar no ar e o espinho de rosa diz:
-Tinha mesmo de me espetar numa avelã, numa toca de um esquilo, até me posso ferir.
Mas não foi isso que o esquilo achou, com a casa toda arrumada, com as avelãs espetadas como uma espetada, tem boa opinião, este bravo esquilo.
Os espinhos intrusos agradam, mas nós agradamos um ouriço selvagem, temos muitos companheiros, sabemos destinguir até mesmo pelos nomes.
J.F.
-Quantos são?
E eu respondo:
-Sei lá eu, são milhares!
Quando entre nós está um espinho vadio, nós um coro dizemos:
-Chefe rebola-te no chão, que há por aí um espinho vadio, que não quer sair do jardim de árvores castanhas, o nosso jardim é composto por nós!
O ouriço rebola-se, com a brincadeira a voar no ar e o espinho de rosa diz:
-Tinha mesmo de me espetar numa avelã, numa toca de um esquilo, até me posso ferir.
Mas não foi isso que o esquilo achou, com a casa toda arrumada, com as avelãs espetadas como uma espetada, tem boa opinião, este bravo esquilo.
Os espinhos intrusos agradam, mas nós agradamos um ouriço selvagem, temos muitos companheiros, sabemos destinguir até mesmo pelos nomes.
J.F.
Eu sou o Azul do Céu
Eu sou o azul do céu, às vezes escuro, às vezes claro, turquesa e a cor que o vento escolheu para me pintar no seu voo cheio de pressa, mas ainda teve tempo para mim, cá de cima vejo tão bem o pôr do sol cor-de-rosa e laranja, vejo tudo o resto mas principalmente, os sentimentos.
I.S.P.
I.S.P.
Eu sou Infinito
Sou uma coisa tão simples, vou-vos provar que sou simples:
Um copo, que tem água, que se bebe, que se acompanha com comida, a comida pode ser peixe, o peixe vive no mar, o mar é azul, azul é o céu, céu tem estrelas e nunca pára!!
As minhas alcunhas são tudo ou nada mas quando me chamam nada fico triste, porque para mim nada é uma palavra que significa que se tem muito dinheiro mas não se tem nada, para mim dinheiro é nada, essa palavra está proíbida no meu mundo porque é equivalente a nada!
C.E.
Um copo, que tem água, que se bebe, que se acompanha com comida, a comida pode ser peixe, o peixe vive no mar, o mar é azul, azul é o céu, céu tem estrelas e nunca pára!!
As minhas alcunhas são tudo ou nada mas quando me chamam nada fico triste, porque para mim nada é uma palavra que significa que se tem muito dinheiro mas não se tem nada, para mim dinheiro é nada, essa palavra está proíbida no meu mundo porque é equivalente a nada!
C.E.
Eu sou a Família
A família tem muita amizade.
Ajudam-se uns aos outros. Tem brincadeira e trabalho mas às vezes não tem o que é preciso, que é a felicidade.
I.S.
Ajudam-se uns aos outros. Tem brincadeira e trabalho mas às vezes não tem o que é preciso, que é a felicidade.
I.S.
5/06/2007
4/21/2007
4/20/2007
3/04/2007
2/13/2007
Carta do Moinho do Laranjal
Querido tio Castelo,
Perdoe-me por lhe escrever só agora. Sinto saudades suas todos os dias, acredite, mas chego à noite tão cansada que só tenho forças para fechar a minha porta, as minhas duas janelinhas, dizer boa-noite à Mó e adormecer.
O avô Palácio está bem? E as primas Mansões? A tia Torre continua altiva? Eu espero que sim, porque todos sabemos que a tia tem aquele feitiozinho de nariz levantado, mas, lá no fundo, a tia tem muito bom coração. Às vezes recordo de quando eu era apenas uma pedrinha pequena e a tia Torre me fazia papinhas de cal que eu merendava ao pôr-do-sol, nos seus ombros.
Sabe, tio Castelo, são muitas as vezes que eu desejo ser uma pedrinha outra vez. Para que alguém me levasse no bolso do casaco… Mas dizem que isso só acontece quando envelhecemos e ficamos em ruínas, não é?
Escrevo-lhe, tio Castelo, porque me lembrei que nunca lhes agradeci o facto de terem tomado conta mim, quando o meu pai Palacete e a minha mãe Mansarda foram demolidos por causa da auto-estrada. Eu sei que eu poderia ter sido um castelinho e que os tios, o avô e as primas ficaram aborrecidos por eu ter saído da cidade e ter vindo para este laranjal. Hoje, eu poderia ser um museu importante como vocês. Mas eu gosto mais de estar longe do barulho das pessoas e dos carros.
De resto, eu sou feliz assim. À semelhança das pessoas que têm cães e gatos, eu tenho a minha Mó que me faz muita companhia. Está sempre a falar. E tenho pegas de cauda azul que pousam nas minhas velas e canários amarelos a cantarem-me todas as manhãs à janela. O rio, também me traz notícias suaves e interessantes de muitas paragens do mundo, como se fosse um livro. São os sapos verdinhos e saltitões que mudam as páginas do rio.
E tenho as laranjas, claro. São muito brincalhonas. Acho que querem namorar comigo. Os gafanhotos andam sempre a dizer isso. Passam o tempo a saltar para o meu telhadinho de colmo, riem e rebolam por mim abaixo, fazendo-me muitas cócegas. Mas o tio sabe que eu não gosto de pertencer a nada nem a ninguém. Sou feliz apenas por poder olhar o que está à minha volta e por sentir o vento em todo o meu corpo. Gosto do cheiro solto da aveia e do barulhinho bom das pétalas das papoilas a vibrarem na sinfonia das brisas. Se eu não fosse tão redondo e gordinho, gostava de ser vento. Mas olhe que tenho o meu rodapé azul bem assente no chão.
Para além da companhia das laranjas e dos pássaros e do rio e das estrelas, tio, tenho ainda uma nova amiga. É sossegada como eu e acho que também não gosta da cidade nem de pertencer a ninguém. Bebe café pela manhã com os pés mergulhados no rio, escreve contos, depois vai falar com as laranjas e volta a escrever contos. Sim, é escritora. E gosta muito de mim, sabe? Diz que eu sou o seu palácio. Fico muito corado. Mas gosto de ouvi-la dizer isso. Eu sei que ela gosta mesmo de mim, apesar de eu ser simples e pequeno. Somos amigos de verdade! Imagine o tio que ela até me dedicou uma colecção de contos que escreveu! Eu quase que chorava, titi. Ela diz que eu sou tanto ou mais importante que as laranjas. Mas como sou pequenino, ela acha que eu tenho coração de tangerina.
Agora tio, vou terminar. A minha escritora vai ler-me mais uma história. Eu gosto de ouvir. Em toda a minha vida, o que eu mais desejei, foi ter uma amizade assim. Beijinhos a toda a família.
O seu sobrinho com coração de tangerina,
Moinho do Laranjal
Perdoe-me por lhe escrever só agora. Sinto saudades suas todos os dias, acredite, mas chego à noite tão cansada que só tenho forças para fechar a minha porta, as minhas duas janelinhas, dizer boa-noite à Mó e adormecer.
O avô Palácio está bem? E as primas Mansões? A tia Torre continua altiva? Eu espero que sim, porque todos sabemos que a tia tem aquele feitiozinho de nariz levantado, mas, lá no fundo, a tia tem muito bom coração. Às vezes recordo de quando eu era apenas uma pedrinha pequena e a tia Torre me fazia papinhas de cal que eu merendava ao pôr-do-sol, nos seus ombros.
Sabe, tio Castelo, são muitas as vezes que eu desejo ser uma pedrinha outra vez. Para que alguém me levasse no bolso do casaco… Mas dizem que isso só acontece quando envelhecemos e ficamos em ruínas, não é?
Escrevo-lhe, tio Castelo, porque me lembrei que nunca lhes agradeci o facto de terem tomado conta mim, quando o meu pai Palacete e a minha mãe Mansarda foram demolidos por causa da auto-estrada. Eu sei que eu poderia ter sido um castelinho e que os tios, o avô e as primas ficaram aborrecidos por eu ter saído da cidade e ter vindo para este laranjal. Hoje, eu poderia ser um museu importante como vocês. Mas eu gosto mais de estar longe do barulho das pessoas e dos carros.
De resto, eu sou feliz assim. À semelhança das pessoas que têm cães e gatos, eu tenho a minha Mó que me faz muita companhia. Está sempre a falar. E tenho pegas de cauda azul que pousam nas minhas velas e canários amarelos a cantarem-me todas as manhãs à janela. O rio, também me traz notícias suaves e interessantes de muitas paragens do mundo, como se fosse um livro. São os sapos verdinhos e saltitões que mudam as páginas do rio.
E tenho as laranjas, claro. São muito brincalhonas. Acho que querem namorar comigo. Os gafanhotos andam sempre a dizer isso. Passam o tempo a saltar para o meu telhadinho de colmo, riem e rebolam por mim abaixo, fazendo-me muitas cócegas. Mas o tio sabe que eu não gosto de pertencer a nada nem a ninguém. Sou feliz apenas por poder olhar o que está à minha volta e por sentir o vento em todo o meu corpo. Gosto do cheiro solto da aveia e do barulhinho bom das pétalas das papoilas a vibrarem na sinfonia das brisas. Se eu não fosse tão redondo e gordinho, gostava de ser vento. Mas olhe que tenho o meu rodapé azul bem assente no chão.
Para além da companhia das laranjas e dos pássaros e do rio e das estrelas, tio, tenho ainda uma nova amiga. É sossegada como eu e acho que também não gosta da cidade nem de pertencer a ninguém. Bebe café pela manhã com os pés mergulhados no rio, escreve contos, depois vai falar com as laranjas e volta a escrever contos. Sim, é escritora. E gosta muito de mim, sabe? Diz que eu sou o seu palácio. Fico muito corado. Mas gosto de ouvi-la dizer isso. Eu sei que ela gosta mesmo de mim, apesar de eu ser simples e pequeno. Somos amigos de verdade! Imagine o tio que ela até me dedicou uma colecção de contos que escreveu! Eu quase que chorava, titi. Ela diz que eu sou tanto ou mais importante que as laranjas. Mas como sou pequenino, ela acha que eu tenho coração de tangerina.
Agora tio, vou terminar. A minha escritora vai ler-me mais uma história. Eu gosto de ouvir. Em toda a minha vida, o que eu mais desejei, foi ter uma amizade assim. Beijinhos a toda a família.
O seu sobrinho com coração de tangerina,
Moinho do Laranjal
Monteiro, Luísa; Coração de Tangerina, contos de descontar; Roble Azul Editores




































